A vagar a esmo pelo mundo foste condenando.
Ser errante, ser descrente.
É teu o mais pesado dos fardos.
Dentre todos os seres viventes.
Nascer do sol, cair da lua.
Brumas e trevas densas.
Ávidas para sugar tua alma.
Teu corpo, tua essência.
Cego pelo completo vazio de idéias,
paixões e pensamentos.
Devorado pela ausência total de lucidez,
razão e sentimentos.
Tragédia suprema em teus olhos,
Negação ascética do prazer.
Dança sombria em tua mente,
Devorado-te até a nervura do ser.
Alma cancerígena, engolfando-se em dor.
Despedaçada, antropozoomórfica!
frágil, porém, como reles pedaço de isopor.
Na eterna viagem da psique,
pelos labirintos do sub consciente.
A loucura serviu-lhe de funesto guia,
e dor, esteve sempre presente.
Nos ritos sinistros da necromancia, cresceu em ti, mordaz alergia,
por que tudo que na Terra nasce, cresce, e floresce.
Deixando-te divagando, a tua própria sorte,
mas enraizando em ti, ódio profundo pela vida.
Um louco apaixonado, um animal desnorteado.
Doente, exausto, completamente enebriado pela morte!
R.A.G.
Da Obra "Espelho Poético"
Todos os direitos reservados
Excelente texto!!!
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