Se pôs então o sol.
Adormeceu, congelou-se.
Refugiou-se em local ignoto e não sabido.
como que tocado pelo Orfeu ensandecido,
privou a aurora de seus raios...
Se fez então a noite.
Inexorável, irredutível, inexcrutável.
A longa noite de mil anos, que para ficar veio!
Mostrando ao homem todos os seus enganos,
Lançando-o em um inolvidável devaneio!
Hiperbóreo agora é o homem.
E a noite, antípoda de todos os seus sonhos,
o pôs a meditar profundamente...
E tentando esquivar-se de pensamentos medonhos,
ele medita, reflete, sente...
O homem relembra então os erros cometidos.
O milênio de escuridão sobre ele lançado,
Fe-lo refletir sobre tudo aquilo que fez de errado,
Em uma avalanche atra de desatinos!
A noite de mil anos,
por sobre ele, caiu para lembra-lo,
do no górdio e inextricável, que de sua vida apoderou-se...
O homem então apavorou-se!
O que houve com meus sonhos?
Voejaram dispersaram-se pela noite?
Não!
Foram substituídos por pesadelos medonhos,
a golpear-me como um milhão de acoites!
A noite, serena, negra, silente,
observava o homem em suas trágicas divagações.
E se pudesse, ela lhe diria,
que apenas veio para que ele refletisse,
analisasse seus erros, se redimisse, encontra-se as soluções.
Ele mesmo me procurou, pensava ela!
Quando agiu infantilmente,
comprometendo sua vida, seu futuro.
escolhendo o caminho mais obtuso,
dentre todos o mais pungente!
Oh! Vim para mostrar-lhe tudo isso!
Há que compreender-me.
Pois eu passarei, como tudo que há de passar.
Mas ele...
Bem, ele ainda ficará.
E quando o sol enfim retornar, quando a vida voltar a vicejar,
ele ainda terá tempo para recomeçar...
E o homem, ainda que isso não aceitasse,
sabia que a longa noite era um mal necessário.
Sabia que deveria tirar proveito deste forcado calvário,
Para que, quando enfim, as trevas dissiparem-se,
Recomeçasse sua vida, buscando sua tão almejada felicidade.
Ele enfim percebeu que o tempo,
da mesma forma que se lhe impôs,
como um sacrifício necessário,
era, paradoxalmente, o único capaz de liberta-lo...
A noite de mil anos haverá de passar!
Gritou o homem a plenos pulmões.
E eu enfim, após o longo inverno,
que a mim mesmo me impus,
Irei meus sonhos alcançar!
Percebeu então o homem,
que sonhos são imorredouros.
Não se acabam nunca, não morrem jamais.
Apenas são adiados, ficam adormecidos,
Para que no futuro retornem mais fortes,
mais pujantes e possam finalmente tornaram-se reais!
R.A.G
Da Obra "Espelho Poético"
Todos os direitos reservados
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