Vejo féretros, esquifes, ataúdes de ébano fino.
Ouço a morte tocando seu fúnebre violino.
Vejo tudo isso e corro.
Corro, corro, corro...
Mas estou sempre no mesmo lugar.
Dentro de uma floresta solitária e negra,
onde a túrgida luz da lua não é capaz de penetrar.
Horrorizado, percebo que estou só.
Terrivelmente só.
Para mim, não ha mais estames.
Apenas o riso frouxo de um destino infame,
que de mim escuto gargalhar sem dó.
Detenho-me.
Ouço agora ao longe o badalar de um sino.
Espero sentado.
Que se cumpra então o meu destino!
E dentro de um caixão sou enterrado sobre a terra.
Vivo!
Agora eu não mais corro.
A cada madrugada eu morro.
R.A.G.
Da Obra "Espelho Poético"
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